Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

O MUNDO PÓS-CRISE: Cooperação Euro-BRICS


MAP6 - Especial EuroBRICS! Cooperação Euro-BRICS: para o mundo pós-crise, por Franck Biancheri

- Editorial MAP6 – Especial Euro BRICS (Maio 2012) -

Uma edição especial Euro-BRICS em colaboração com a Universidade MGIMO de Moscou

Com este número especial de MAP consagrado a futura cooperação Euro-BRICS, LEAP/E2020 continuamos explorando o caminho que conduz ao mundo pós-crise. No âmbito dessa cooperação, se trata de antecipar os processos que vão ser determinantes na conformação da governabilidade do século WWI e que vão permitir o reequilíbrio pacífico das relações entre as principais potências mundiais.

Não é por acaso que publicamos este número apenas após a eleição presidencial francesa. O efeito, a derrota de Nicolas Sarkozy marca o fim do parêntesis americanista na França e que durante os últimos 5 anos se caracterizou por sua alienação incondicional com as posições geopolíticas do eixo Washington/Londres/Tel Aviv. A vitória de François Hollande, pelo contrário, implica não somente a recuperação de uma visão geopolítica “galomitterandiana” (visão de uma Europa independente) como também a afirmação da necessidade imperiosa de explorar novas relações com os países que formam os BRICS.

Como se poderá constatart no presente número de MAP, a cooperação Euro-BRICS se encontra em um estado avançado e isto, em vários âmbitos (ciência, tecnologia, economia, ...) mas falta entretanto uma relação político-diplomática clara que outorgue a esta relação um impacto construtivo sobre a evolução do mundo. Alemanha abriu o caminho em 2011 com sua abstenção a intervenção militar na Líbia no Conselho de Segurança da ONU, como China, Rússia e Brasil. Mas contra as posições americanistas incorporadas pela França, nenhuma mudança estrutural podia ser esperarada em matéria de aprofundamento dos interesses comuns da zona Euro e dos BRICS. Além da crise econômica e financeira mundial, a crise de endividamento que atravessam os Estados e o impasse das aventuras militares ocidentais, são numerosos os temas de convergência entre, por um lado, os países europeus e por outro, Rússia, China, Índia, Brasil e África do Sul. A troca de governo da França irá proporcionar isso à zona Euro, ao menos a um grupo de países pioneiros em torno da posição franco-alemã, um terreno fértil para propor, daqui a 2013, as bases de uma verdadeira estratégia conjunta Euro-BRICS.  

Como em toda cooperação, certas temáticas provocam tensões e também desacordos. E por esta razão, o diálogo é necessário. Existindo uma referência político-diplomática Euro-BRICS, as tensões que gera, por exemplo, o imposto europeu sobre o carbono que afeta as companhias aéreas não prejudicaria como é o caso
Há alguns meses, as relações entre Bruxelas e Pequim, Moscou ou Nova Deli. Sem nenhuma dúvida, a presença de um intermediário nomeado a nível europeu, capaz de proporcionar elementos chave para um acordo entre os diferentes membros implicados, sobre todo o nível da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), seria preferível a atual e insustentável situação em que se encontra a EU a causa da Comissão Européia. O intermediário poderia ignorar a postura ideológica da Comisária Européia de Ação pelo Clima, Connie Hedegaard (1) e evitar assim um enfrentamento prejudicial para a cooperação entre Europa e o bloco dos BRICS.

Mas para além desse exemplo, e de outras tantas cooperações bilaterais Euro-BRICS, é no G20 que essa cooperação cairá de madura em 2013. Sobre as questões da reforma do sistema monetário internacional e sobretudo da moeda mundial de referÊncia, como sobre os problemas de controle dos grandes operadores financeiros privados, a zona Euro e o BRICS possuem interesses estratégicos comuns. Um deles, que constituem uma maioria do G20, pode emergir uma visão do mundo do pós-crise, e uma dinâmica capaz de fazê-la funcionar. Posto que, como havia indicado LEAP/E2020 já em 2009 e durante o G20 de Londres, sem um reexame do papel do dólar e sem um controle rigoroso das grandes instituições financeiras privadas, não haverá uma saída possível da crise.

Hoje, neste mês de maio de 2012, por primeira vez depois da crise mundial, as condições nos parecem reunidas para poder avançar rapidamente em matéria de cooperação estratégica Euro-BRICS e, desta maneira, aumentar as possibilidades de superar a crise atual.

Toda a equipe do MAP espera que este número especial ajude ao leitor a ter uma idéia do caminho a percorrer nos próximos anos, a adquirir uma visão mais clara das grandes mudanças geopolíticas que trarão os anos que virão, com respeito ao mundo que conhecemos desde 1945.

Por último, assinalamos que este número especial Euro-BRICS do MAP não só estará disponível, como habitualmente, em francês, inglês, alemão e espanhol, senão também em português, russo e chinês.
 
Notas:
(1) Recordemos que a mesma Connie Hedegaard, então ministra dinamarquesa de meio ambiente, em dezembro de 2009 teve que abandonar a presidência da Cúpula de Copenhague sobre o Clima por uma revolta geral contra sua gestão das negociações. Um “detalhe” que não deveria escapar aos europeus em suas atuais discussões com os países do BRICS sobre o imposto do carbono. Fonte: Guardian, 16.12.09

Artigo original publicado no "GlobalEurope Anticipation Bulletin"
publicado por surfandonoassude às 15:41
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