Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

AS CINCO TORMENTAS DEVASTADORAS em 2012


Crise sistêmica global – as cinco tormentas devastadoras do verão de 2012 em meio a mudança de tendência da geopolítica mundial
- Nota publica do GEAB nº 63(17 de março de 2012)


 
Em seu número de janeiro de 2012, o LEAP/E2020 colocou o corrente ano sob o signo da mudança de tendência (ponto de inflexão crucial) da geopolítica mundial. O primeiro trimestre deste ano começou a tomar forma amplamente o fim de uma época, particularmente com a decisão da Rússia e a China de bloquear a intenção ocidental de ingerência na Síria (1); suas vontades declaradas, associadas particularmente coma Índia (2), de ignorar ou evitar o embargo petrolífero contra o Iran, decidido pelos Estados Unidos e a União Européia (3); as crescentes tensões entre as relações de Estados Unidos e Israel (4); a aceleração da política da China (5) e o BRICS para diversificar as reservas monetárias saindo do USD (também Japão e Eurolândia (6)); as propostas de mudança de estratégia política da Eurolândia por ocasião da campanha eleitoral francesa (7); e a intensificação das ações e o dicurso que alimentam o fortalecimento das guerras comerciais entre blocos (8).
Em março de 2012, estamos longe de março de 2011 e da “perseguição” da ONU dirigido pelo trio Estados Unidos/Reino Unido/Franca para atacar a Líbia. Em março de 2011, todavia estávamos no mundo unipolar pós 1989. Em março de 2012, já estamos no mundo multipolar pós crise que vacila entre confrontações e colaborações.

Evolución de las reservas de divisas de China y su participación en títulos de Estados Unidos (2002-2011) (en millardos de dólares) (verde: total, en salmón: valores de EE.UU., curva roja: evolución en % respecto del total de la parte de títulos estadounidenses) - Fuentes: Banque populaire de Chine / Trésor US / Wall Street Journal / DollarCollapse, 03/2012
Evolução das reservas de divisas da China e sua participação em títulos dos Estados Unidos (2002-2011) (em milhões de dólares) (verde: total, em salmon: valores de EE>UU., curva vermelha:evolução em % a respeito do total da parte de títulos estadunidenses) – Fontes: Banque populaire de Chine / Trésor US / Wall Street Journal / DollarCollapse, 03/2012
Como foi antecipado pelo LEAP/E2020, o tratamento da “crise grega” (9) fez desaparecer rapidamente dos meios de comunicação e das inquietudes dos operadores a suposta “crise do Euro”. A histeria coletiva sustentada durante o segundo semestre de 2011 pelos meios de comunicação anglo-saxões e eurocéticos se desvaneceram: Eurolândia se impõe cada vez mais como uma estrutura permanente (10), o Euro está novamente em voga nos mercados e nos bancos centrais dos países emergentes (11), o dueto Eurogrupo/BCE funcionou eficazmente e os investidores privados tiveram que aceitar um corte de 70% de seus ativos gregos, o que confirma a antecipação do LEAP/E2020 de 2010 na qual falamos de um desconto de 50% quando nada ou quase nada se aimaginava possível sem uma “catástrofe” que significaria o fim do Euro (12). Em última instância, os mercados sempre cedem à lei do mais forte... e ao medo de perder mais, independentemente do que digam os teólogos do ultraliberalismo. É uma lição que os dirigentes políticos se lembrarão com cuidado porque há outros descontos por vie, nos Estados Unidos, Japão e Europa. Voltaremos sober isto neste GEAB nº 63.
Saldo de la deuda pública mantenida por bancos centrales (2002-2012) - Estados Unidos (violeta), Reino Unido (gris), Eurozona (Punteada violeta), Japón (Punteada gris) – Fuentes: Datastream / bancos centrales / Natixis, 02/2012
Saldo da dívida pública mantida pelos bancos centrais (2002-1012) – Estados Unidos (violeta), Reino Unido (cinza), Eurozona (ponteada de violeta), Japão (ponteada de cinza) – Fontes: Datastream / bancos centrales / Natixis, 02/2012
Paralelamente, e isto contribui para explicar a doce euforia que alimenta os mercados e muitos atores aconômicos e financeiros nestes últimos meses, pelo ano eleitoral e pela nececessidade de ajeitar as coisas custe o que custe frente a uma Eurozona que não se desmorona (13), os meios de comunicação financeiros estadunidenses nos brindam com uma nova versão dos “brotos verdes” de princípios de 2010 e da “reativação” (14) de princípios de 2011 com o fim de pintar um Estados Unidos “saindo da crise”. Mas neste princípio de 2012 os Estados Unidos se parecem mais bem a um deprimente cenário pintado por Edward Hopper (15) e não a um cromo brilhante dos anos 60 de Andy Warhol. Similarmente em 2010 e 2011, a primavera será o momento do retorno ao mundo real.

Neste contexto tanto mais perigoso dado que todos os atores estão embalados pela perigosa ilusão da “volta a normalidade”, em particular (16) com o “reinício do motor econômico estadunidense”, o LEAP/E2020 considera necessário alertar a seus leitores sobre o fato que no verão de 2012 esta ilusão irá voar em pedaços. De fato, antecipamos que nessa época irão ocorrer cinco choques devastadores que constituem o núcleo do processo de mudança de tendência geopolítica mundial em curso. As nuvens negras que se amontoam desde o começo da crise em matéria econômica e financeira se somam agora às pesadas nuvens dos enfrentamentos geopolíticos.

São, segundo o LEAP/E2020, cinco tormentas devastadoras que caracterizarão o verão boreal de 2012 e acelerarão o processo da mudança de tendência geopolítica mundial:

. recaída dos Estados Unidos num contexto de estancamento europeu e desaceleração dos BRICS

. beco sem saída para os bancos centrais e o aumento das taxas de juros

. tempestade nos mercados de divisas e das dívidas públicas ocidentais

. Iran, a guerra “distante”

. nova quebra dos mercados e das instituições financeiras.

Neste GEAB nº 63, nossa equipe analiza em detalhe estes cinco choques do verão de 2012.

Paralelamente, em colaboração com “Ediciones Anticipolis”, publicamos um novo extrato do livro de Sylvain Périfel e Phipippe Schneider, “2015 – La grande chute de l’immobilier occidental”, por ocasião da venda de sua versão francesa. Este trata sobre as perspectivas de mercado imobiliário residencial estadunidense.

Finalmente, apresentamos nossas recomendações mensais dirigidas neste número ao ouro, às dividas, os bancos e sua tributação dos ativos financeiros.
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Notas:

(1) Um artigo de Cameroon Voice, publicado em 06/03/2012, oferece uma interessante visão do conjunto desta situação de bloqueio que nos parece útil de analizar tanto pelo ângulo geopolítico como o humanitário que tende a camuflar muito dos parâmetros por trás das “evidências da justa causa”. Recordemos o ataque à Líbia e as atuais conseqüências desastrosas para grande quantidade de líbios e para toda a região; por último: a desestabilização de toda uma parte da África sub-saariana, como Mali por exemplo. Sobre este tema, podemos ler na interessantíssima análise de Bernard Lugan no Lê Monde de 12/03/2012.

(2) E no Japão que, mesmo com baixo perfil, não tem a intenção de deixar de abastecer-se do petróleo iraquiano. China e Índia por sua parte aumentam seu fornecimento de petróleo iraquinao e entram no vazio deixado pelos ocidentais. Os hindus inclusive agora utilizam o Iran como porta de entrada do petróleo da Ásia Central. Fonte: Asahi Shimbun, 29/02/2012; Times of India, 13/03/2012; IndianPunchline, 18/02/2012

(3) Esperamos ver qual será a vontade da União Européia na matéria durante a segunda metade de 2012. Com o fim da tutela estadunidense sobre a política exterior francesa, como resultado da troca de presidente na França, muitos aspectos da política internacional da Europa mudarão.

(4) Numerosos são os responsáveis israelenses e estadunidenses que se perguntam em que estado estarão as realações entre ambos países depois desta confrontação quase sem precedentes sobre um possível ataque contra o Iran. Para alguns, nos aproximamos do momento em que Israel canse os Estados Unidos, como analiza o artigo de Gideon Levy em Haaretz de 04/03/2012.

(5) Últimos exemplos atualizados: os acordos dos BRICS para organizar trocas em divisas nacionais entre eles, e particularmente o Yuan a causa da intensão de Pekin de internacionalizar sua moeda; e a decisão do Japão de comprar bônus do tesouro chinês de acordo com Pekin. Atuando em forma oposta ao Japão “dominante” da década de 1980 que nunca se atreveu a impulsionar a internacionalização do Yen. Este aspecto basta para desfazer todas as comparações entre a ascensão frustrada do Japão e a situação da China atual. Tókio estava sob controle de Washinton; Pekin não está. Fontes: FT, 07/03/2012; JapanToday, 13/03/2012

(6) Os bancos da Eurolândia abanam suas atividades de empréstimos em USD. Fonte: JournalduNet, 23/02/2012

(7) Quer dizer o fim do social liberalismo que havia tomado lugar da social democracia européia durante as últimas décadas; e o retorno da “economia social de mercado” núcleo do modelo renano, histórico modelo europeu continental. Desde a Eslováquia com o novo primeiro ministro Fico a França com o futuro presidente Hollande (isto não é o resultado de uma preferência política senão de nossas antecipações publicadas desde novembro de 2010 no GEAB nº 49) passando pela Itália com Mário Monti e Alemanha de onde os conservadores e social democratas agora devem refazer o caminho europeu juntos, já que é preciso para obter a maioria necessária pra a ratificação dos novos tratados europeus, vemos desenharsem os contornos da futura estratégia econômica e social da Eurolância: fortalecimento da tributação progressiva, solidariedade social, eficácia econômica, implementação do controle do setor financeiro, vigilância aduaneira, ...em resumo: aleijamento a grande velocidade do modelo anglo-saxão de moda durante 20 anos entre as elites européias.

(8) Últimos episódios atualizados: o ataque dos Estados Unidos à política comercial chinesa referente às “terras raras” ante a OMC, é apoiada pela União Européia e Japão; os novos rebotes das acusações recíprocas USA/EU sempre ante a OMC referente as subvenções à Boeing e Airbus; a “guerra monetária” desencadeada pelo Brasil contra os Estados Unidos e Europa (Observação do tradutor: ou: “desencadeada pelos Estados Unidos e Europa contra o Brasil”). Fontes: CNNMoney, 12/03/2012; Bloomberg, 13/03/2012; Mish's GETA, 03/03/2012

(9) Por outra parte, incrível para muitos há somente três meses, a agência de qualificação acaba de voltar a subir a nota da Grécia. Fonte: Le Monde, 13/03/2012

(10) O tema da democratização destas estruturas surge como prevíamos. Mas estas estruturas (MIS,BCE, ...) estão já estabelecidas. Aos protagonistas e forças políticas dos dois próximos anos cabe iniciar, sob controle dos cidadãos, em vez de perder o tempo lamentando-se do tempo maravilhoso ... quando os cidadãos não tinham a menor idéia de como seu país administrava sua dívida. E não é atacando aos tenocratas que fizeram o “trabalho sujo” em meio a tempestade que as políticas encontrarão o caminha da legitimação democráticas das instituições da Eurolândia, senão propondo novos mecanismos e processos de participação dos povos nas decisões. A propósito disso, é útil saber que no Parlamento Europeu, o grupo PPE (entre cujos membros figuram particularmente, os partidos de Nicolas Sarkozy e Ângela Merkel) está tratando de cortar da raiz uma proposta trasn-partidária da criação de 25 assentos no Parlamento Europeu que seriam eleitos com listas transnacionais, com a União Européia como circunscrição única. Segundo o LEAP/E2020, esta proposta é um pequeno passo no único caminho que pode conduzir a um controle cidadão das decisões européias. É lamentável que as vozes que expressam a necessidade de isolar a Europa dos povos sejam cúmplices do bloqueio da primeira tentativa séria nessa direção. Fonte: European Voice, 11/03/2012

(11) Até o Financial Times, sendo um dos atores chave do histerismo anti-euro, agora deve reconhecer que os mercados emergentes (agentes públicos e privados) recuperaram o gosto pela divisa européia. Fonte: Financial Times, 26/02/2012

(12) Insistimos nestes pontos porque haverá de esquecer muito rapidamente os discursos predominantes de 2010 e 2011 que incitaram aos investidores a comprar a dívida grega porque era uma “pechincha”! Muitas vezes os mesmos “espertos” também prognosticaram uma paridade EUR/USD que provocou que muitos operadores vendessem seus euros para compra o dólar com a mesma lógica. O resultado: estes “espertos” que povoaram os meios de comunicação e as emissões financeiras, fizeram perder muito dinheiro a uns e outros. Para saber antecipar o futuro, também devem ter memória!

(13) Não esqueçamos que sem a histeria coletiva mantida em torno da “crise do euro”, desde os finais de 2011, os Estados Unidos teria sido incapaz de financiar seu enorme déficit. Wall Street e a City tiveram que pintar uma Europa na borda do precipício para poder sustentar as compras de seus títulos. Agora que esta propaganda já não funciona, é vital tratar de embelezar a situação estadunidense para evitar secar a fonte exterior do financiamento da economia estadunidense. Ver o GEAB nº 58 a 61.

(14) Para recordar, em meados de 2010, o FMI se preocupava por não “obstaculizar a reativação”. E em janeiro de 2011, os espertos se perguntavam como gozar da “reativação” que mostravam os famosos “índices-chave”! Fontes: FMI, 07/07/2010; CreditInfocenter, 27/01/2011

(15) Nossa equipe quer explicar que apreciamos o talento de Hopper e que aqui é citado só porque foi o pintos por excelência da classe média da “idade do ouro” dos Estados Unidos, mostrou em geral uma atmosfera muito deprimente. Hoje somente podemos imaginar o que seria a atmosfera de seus quadros com uma classe média em ruínas em uma “idade de ferro” do país.

(16) Recordamos que é o credo fundamental sobre o qual descansa todo o sistema econômico e financeiro global. E em três anos de crise, pela primeira vez desde 1945, este motor já não funciona. Então é necessário manter o maior tempo possível, esperando um milagre. No verão de 2012, nas tormentas abundaram relâmpagos mas não havia um raio milagroso; muito pelo contrário.

Samedi 17 Mars 2012
LEAP/E2020
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FONTE/Link: "GlobalEurope Anticipation Bulletin"
publicado por surfandonoassude às 18:09
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