Terça-feira, 5 de Junho de 2012

A CRISE EXISTENCIAL da EUROPA


A Europa vive hoje um dilema crucial para si, com desdobramentos para o resto do mundo. Poderá surgir daí uma solução forçada do tipo "Estados Unidos da Europa", o que, realmente, pode ser a "única saída" (previamente planejada pelos teatrólogos do poder mundial: CRIAR O PROBLEMA - OFERECER A SOLUÇÃO) ou, se não houver essa integração PLENA (político-econômica), tudo irá ruir. Particularmente, não acredito que os "governantes" europeus (os idealizadores do projeto) irão permitir que anos de trabalho venham desfazer-se assim tão facilmente; eles acharão uma solução que, em última instância, até pode ser o surgimento de duas europas, a do euro e a de fora do euro. De qualquer maneira, qualquer dessas hipóteses trará o rumo pelo qual o mundo já não será mais o mesmo, estamos prestes a ver surgir mais uma besta político-econômica, se com uma ou duas cabeças, não sei, mas no final ela terá sete (e dez chifres) não que seja a a Europa a besta, mas a partir do modelo que surgirá. 
    No artigo a seguir, que não é de minha autoria, surgem algumas observações bem pertinentes a esse dilema existencial. Boa leitura!

A AMEAÇA DA AMNÉSIA ALEMà    


 
(Joschka Fischer) A situação da Europa é séria – muito séria. Quem teria pensado que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, apelaria aos governos da zona euro para reunir coragem para criar uma união fiscal (com orçamento e política fiscal comuns e dívida pública solidariamente garantida)? E Cameron defende também que a integração política mais profunda é o único caminho para parar a desagregação do euro.


Um primeiro-ministro britânico conservador! A casa europeia está em chamas, e Downing Street está a pedir uma resposta racional e resoluta do corpo de bombeiros.

Infelizmente, o corpo de bombeiros é liderado pela Alemanha, e o seu chefe é a chanceler Angela Merkel. Como resultado, a Europa continua a tentar apagar o fogo com gasolina – a austeridade imposta pelos alemães – com a consequência de que, em três meros anos, a crise financeira da zona euro se tornou numa crise existencial europeia.

Não nos iludamos: se o euro se desagrega, assim acontecerá à União Europeia (a maior economia do mundo), espoletando uma crise económica global numa escala que a maior parte das pessoas hoje vivas nunca conheceu. A Europa está à beira de um abismo, e certamente cairá nele a não ser que a Alemanha – e a França – alterem o seu rumo.
As recentes eleições em França e na Grécia, juntamente com eleições locais em Itália e distúrbios continuados em Espanha e na Irlanda, mostraram que o público perdeu a fé na rígida austeridade que a Alemanha lhes impôs. O remédio radical de Merkel colidiu com a realidade – e com a democracia.

Estamos mais uma vez a aprender da maneira mais difícil que este tipo de austeridade, quando aplicado no decorrer de uma crise financeira importante, apenas leva à depressão. Esta perspectiva devia ser do conhecimento comum; foi, apesar de tudo, uma lição importante das políticas de austeridade do Presidente Herbert Hoover nos Estados Unidos e do chanceler Heinrich Brüning na Alemanha de Weimar no início da década de 1930. Infelizmente, a Alemanha, entre todos os países, parece tê-la esquecido.

Como consequência, o caos paira na Grécia, assim como a perspectiva de próximas corridas aos depósitos bancários em Espanha, Itália, e França – provocando uma avalanche financeira que soterraria a Europa. E depois? Devemos desperdiçar o que mais que duas gerações de europeus criaram – um enorme investimento em construção de instituições que levou ao mais longo período de paz e de prosperidade na história do continente?

Uma coisa é certa: uma desagregação do euro e da União Europeia implicaria a saída da Europa da cena mundial. A política actual da Alemanha é ainda mais absurda à vista das amargas consequências políticas e económicas que enfrentaria.

Compete à Alemanha e à França, a Merkel e ao Presidente François Hollande, decidir o futuro do nosso continente. A salvação da Europa depende agora de uma mudança fundamental na atitude da Alemanha relativamente à política económica, e da posição da França relativamente à integração política e a reformas estruturais.

A França terá que dizer sim a uma união política: um governo comum com controlo parlamentar comum para a zona euro. Os governos nacionais da zona euro já estão a agir em uníssono como um governo de facto para lidar com a crise. O que se está a tornar cada vez mais verdade na prática deve ser levado a cabo e formalizado.

A Alemanha, por seu lado, terá que optar por uma união fiscal. Em última análise, isso significa garantir a sobrevivência da zona euro com o poder económico e os activos da Alemanha: aquisição ilimitada dos títulos de dívida pública dos países em crise pelo Banco Central Europeu, europeização de dívidas nacionais através de eurobonds, e programas de crescimento para evitar uma depressão da zona euro e para impulsionar a recuperação.

Pode imaginar-se facilmente a celeuma na Alemanha sobre um programa deste tipo: ainda mais dívida! Perder o controlo sobre os nossos activos! Inflação! Simplesmente não funciona!

Mas funciona: o crescimento induzido pelas exportações da Alemanha é baseado em programas desse tipo, em países emergentes e nos EUA. Se a China e a América não tivessem distribuído capital parcialmente financiado por dívida nas suas economias desde 2009, a economia alemã teria sofrido um sério golpe. Os alemães devem agora questionar-se se eles, que foram quem mais lucrou com a integração europeia, estão dispostos a pagar por esta o preço devido ou se preferem deixar que esta falhe.Para além da unificação política e fiscal e de políticas de crescimento para o curto prazo, os europeus precisam urgentemente de reformas estruturais dirigidas à restauração da competitividade da Europa. Cada um destes pilares é necessário para que a Europa ultrapasse a sua crise existencial.

Entenderemos nós, alemães, a nossa responsabilidade pan-europeia? Certamente não parece que assim seja. Na verdade, raramente esteve a Alemanha tão isolada como agora. Quase ninguém compreende a nossa política de austeridade dogmática, que vai contra toda e qualquer experiência, e consideram-nos bastante fora de rumo, senão mesmo dirigindo-nos para o tráfego que vem em sentido contrário. Ainda não é tarde demais para mudar de direcção, mas agora temos apenas dias e semanas, talvez meses, em vez de anos.

A Alemanha destruiu-se – e à ordem europeia – duas vezes no século vinte, e depois convenceu o Ocidente que tinha chegado às conclusões certas. Só desta maneira – reflectida vividamente no seu apoio ao projecto europeu – conseguiu a Alemanha consentimento para a sua reunificação. Seria simultaneamente trágico e irónico se uma Alemanha restaurada, por meios pacíficos e com a melhor das intenções, trouxesse a ruína da ordem europeia por uma terceira vez.


Traduzido do inglês por António Chagas (Project Syndicate)
fonte (s): 
http://diariodaprofecia.blogspot.com.br/
http://www.publico.pt
publicado por surfandonoassude às 07:34
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2 comentários:
De rui miguel duarte a 9 de Junho de 2012 às 05:31
Meu caro bloguista,

Como português agradeço a citação de um artigo de jornal português, sobre temática europeia. Mas merece-me um reparo: a alteração da ortografia do original para a brasileira. Por exemplos: "ativos" em vez de "activos", "econômica" em vez de "económica". Além da sintaxe: "A Alemanha se destruiu" em vez de "A Alemanha destruiu-se"
A grafia lusa não é motivo de incompreensão no Brasil, nem a do Brasil em Portugal. Não se vê pois razão para essa adaptação. E as fontes não devem nunca ser traídas, antes ser respeitadas, em ambos os lados do Atlântico. Se houver casos inversos (de desrespeito pela grafia brasileira em Portugal), reagirei com a mesma indignação. Como sucedeu recentemente com a edição portuguesa de um livro de um autor brasileiro sobre Fernando Pessoa.
O respeito pelas fontes é um critério de respeito absoluto. Ou então, se houve alteração, esta deve ser assinalada.

Cumprimentos.
De Ildo Gaúcho a 12 de Junho de 2012 às 07:21
Caro Rui, obrigado pela participação.
O texto foi reeditado da fonte que julgo ser a original (em português). Abraços

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