Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

A SÍRIA e A LÍBIA - Entenda melhor as diferenças


A revolução na Síria começou, tal como na Líbia, como uma contestação ao regime autocrático que vigorava há décadas no país. Era também uma luta contra a corrupção, a falta de liberdade e por democracia, causas aliás que têm sido comuns a todas as outras "Primaveras Árabes" do Médio Oriente e Norte de África. Mas o que faz a Síria perigosamente diferente da Líbia, e de todas as outras revoltas?
Poderá a Síria ser como a Líbia?
                                                     DE OUTRAS MARGENS - por MARIA JOÃO TOMÁS


A revolução na Síria começou, tal como na Líbia, como uma contestação ao regime autocrático que vigorava há décadas no país. Era também uma luta contra a corrupção, a falta de liberdade e por democracia, causas aliás que têm sido comuns a todas as outras "Primaveras Árabes" do Médio Oriente e Norte de África. Mas o que faz a Síria perigosamente diferente da Líbia, e de todas as outras revoltas?


A Síria tem uma característica que se tem acentuado, à medida que o conflito se vai tornando uma guerra civil: é também uma luta sectária entre dois ramos do Islão, os xiitas e os sunitas. A população está dividida, sendo que a grande maioria pertence ao segundo e uma minoria, bem como Bashar al-Assad, é do primeiro. Muito embora não tenha sido esta a causa, e o sentimento de mudança tenha sido generalizado a toda a população, o medo de represálias - por pertencer ao mesmo ramo que o Presidente sírio - faz com que haja uma luta fratricida. Por outro lado, as minorias protegidas por Bashar al-Assad, como os cristãos, são também alvo de perseguições pela maioria sunita, o que, aliado ao facto da Al-Qaeda já se ter associado unilateralmente aos rebeldes, torna o conflito verdadeiramente explosivo.

Mas não é só. A nível regional a situação é também preocupante. No Líbano os confrontos entre sunitas e xiitas tem-se acentuado, e no Iraque os ataques bombistas às comunidades xiitas têm-se multiplicado. O Irão, uma teocracia xiita, tem-se mantido oficialmente afastado, mas qualquer hipótese de se envolver arrasta sempre a questão de ter, ou não ter, armamento nuclear, o que, com a certeza de que Israel o tem, traz um cenário, no mínimo, assustador.

Por outro lado, uma ação coordenada da comunidade internacional na Síria, tal como se fez na Líbia para derrubar Kadhafi, tem obviamente contornos e implicações muito diferentes e o secretário-geral da NATO, Anders Rasmussen, já veio afirmar que está fora de questão. Retirar Bashar al-Assad do poder é essencial, numa altura em que os massacres a povoações sunitas são frequentes e não poupam mulheres e crianças. Mas é preciso não esquecer que, quer o exército do Governo, como as milícias do grupo Shabiha lideradas pelo seus primos Fawaz al-Assad e Munzer al-Assad - e que se crê terem sido responsáveis pelas atrocidades cometidas em Qubair e Houla -, têm armamento sofisticado vendido pela Rússia e não têm qualquer pruído em usá-lo. Qualquer ajuda da NATO, tal como se fez com os rebeldes líbios, nunca poderia deixar de ter em consideração o elevado poder militar do Governo sírio. Por outro lado, armar civis acarreta sempre consequências e a Líbia está neste momento a pagar esse preço, com conflitos e insegurança permanentes, tal como o incidente que aconteceu recentemente no aeroporto de Trípoli. O facto de não terem sido retiradas as armas aos rebeldes fez com que as rivalidades tribais acabem geralmente em violência, e haja um florescente mercado de venda ilegal de armamento que ultrapassa largamente as fronteiras líbias e que alimenta guerras e grupos terroristas em África, e equipa grupos sectários um pouco por todo o Médio Oriente.

Finalmente, tal como na Líbia, deverá ser evitada a entrada de tropas estrangeiras em solo sírio, sob pena de ser evocada a jihad em legítima defesa do território ocupado, tal como fazem os talibãs ou os palestinianos. A Arábia Saudita já incitou a Liga Árabe a fazê-lo mas é uma opção a excluir completamente, sob pena de o conflito fratricida na Síria resvalar para uma guerra de consequências imprevisíveis.


Danya Bashir - que virá à Gulbenkian no próximo dia 22, juntamente com Yassine Ayari, Mona Prince e Aboubakr Jamai - nunca pensou que o auxílio que pediu, e que conseguiu, quando a sua cidade de Bengasi esteve cercada pelas tropas de Kadhafi, tivesse tanta repercussão e fosse hoje matéria tão estudada e analisada nos conflitos gerados pela "Primavera Árabe". A Líbia foi um caso de sucesso, quase imediato, enquanto que na Síria a comunidade internacional hesita e o plano de paz de Kofi Annan falha. Se havia um Conselho Nacional Líbio bem estruturado, e que em muito facilitou a ajuda internacional, o Concelho Nacional Sírio mudou recentemente de chefe e Burhan Ghalioun, suportado pela Irmandade Muçulmana, foi substituído por um curdo, Abdel Sayda, que já veio dizer que Bashar al-Assad está a preparar a sua saída. Seria muito bom que ele tivesse razão.

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publicado por surfandonoassude às 14:41
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