Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

UMA NOVA FRANÇA para uma NOVA ORDEM MUNDIAL


 
Uma eleição francesa 2012 geopoliticamente muito mais importante que a eleição estadunidense de 2012
(Extrato do Artigo "Crisis sistémica global: Francia 2012-2014 - El gran terremoto republicano y su impacto internacional)

Nossa equipe considera que a vitória de François Hollande ativará uma série de mudanças estratégicas que afetarão profundamente a Europa acelerando consideravelmente as transações geopolíticas que se estão desenvolvendo a nível mundial desde o começo da crise global em 2008.


Nisto, os resultados e as conseqüências da aleição presidencial francesa (5), tem muito mais importância que a próxima eleição presidencial estadunidense de novembro de 2012. Ainda que a França seja um país muito menos poderoso que os Estados Unidos, ocupa uma posição estratégica tanto na Europa como a nível mundial (particularmente por seu papel dentro da Europa) que a converte em um ator chave no surgimento do “mundo de amanhã”, citando o título do livro de Franck Biancheri.

E a eleição de François Hollande, que possui um verdadeiro pensamento sobre Europa e o papel que deve cumprir a França e que tem manifestado claramente sua intenção de explorar ativamente as oportunidades de colaboração com os novos poderes emergentes (BRICS), significará uma ruptura importante com a ausência de visão e de estratégia européia dos cinco anos da presidência de Nicolas Sarkozy marcados essencialmente por uma subordinação sem precedentes na História recente do país ao dominante poder estadunidense (6) e por sua integração sem condições ao eixo Washington/Telaviv essencialmente nos grandes problemas geopolíticos (7).

França que desapareceu do mundo há cinco anos, está a ponto de regressar (9), mais ainda pela personalidade do futuro presidente (10).

O impacto da eleição de François Hollande sobre a transição geopolítica global (2012-2015)

Em matéria global, o LEAP/E2020 quer sublinhar duas tendências notáveis que vão caracterizar os primeiros anos do novo poder francês:

.A afirmação da França em uma política européia-gaulista (o mitteran-gaullista), quer dizer, uma política externa européia que faz da independência uma prioridade estratégica

.Uma acelerada exploração das possíveis relações com os BRICS, particularmente num contexto de uma futura colaboração Euro-BRICS.

François Hollande tem se mantido muito discreto em matéria de política externa porque, por uma parte, não está no coração das preocupações dos franceses para esta eleição 2012; e porque, por outra parte, não se anuncia de antemão mudanças importantes neste domínio.

Os argumentos a favor de tais mudanças são unanimidade e sua implementação não corre perigo de gerar ressistência na opinião pública que, em geral, se sentiu traída pela submissão americanista do período sarkoziniano, realmente não há nenhuma razão para precipitar-se. Assim como se anunciou sobre a reintegração da França na organização militar da OTAN (11), se apoiará uma avaliação objetiva das vantagens e inconvenientes desta decisão.

O resultado é conhecido por antecipação já que o presidente que sai não negociou nada (e consequentemente nada obteve) em troca do retorno da França a esta organização militar. Haverá uma ação em dois tempos: a exigência de um certo número de contrapartidas e quanto a posições militares chaves para França no âmbito da OTAN e a implementação no mais tardar em 2015 de um pilar europeu de defesa fora da OTAN mas relacionado a ela.

França poderá contar com o apoio da maioria dos  países europeus continentais a quem as aventuras líbias e afegãs convenceram definitivamente da necessidade de mudanças substanciais no âmbito da Aliança Atlântica.

Através de um maior apoio orçamental dos europeus para seus próprios gastos de defesa, Estados Unidos, frente a uma drástica redução em seu orçamento militar, aceitará de bom ou mal grado. Só o Reino Unido se oporá a este processo antes de ingressar, já que não tem mais recursos financeiros, militares e diplomáticos para sua política.
Importaciones netas de petróleo (UE, USA, China, Japón) (en naranja: media 2000-2010 en millardo de USD / en rojo: proyección 2012 en millardo de USD / en azul: en porcentaje del PBI) - Fuente: IEA / FT, 03/2012
Importações líquidas de petróleo (UE, USA, China, Japão) (em larança: média 2000-2010 em milhões de UDD / em vermelho: projeção 2012 em milhões de USD / em azul: em porcentagem do PBI) – Fonte: IEA / FT, 03/2012

Em matéria global atrás da Alemanha, já avançada no processo de cooperção diplomática com os BRICS, França se comprometerá em um enfoque mais estratégico, com um sentido europeu (eurolandês) comunitário, dirigido a formular eixos comuns Euro-BRICS (12) de ação nas organizações internacionais (reformas do FMI (13), do Conselho de Segurança da ONU) e sobre toda reforma fundamental do sistema monetário internaciona (a substituição do USD como pilar do sistema).

A cúpula do G20 em Moscou durante o primeiro semestre de 2013 será a primeira materialização nesta direção.

Estimulando só estas duas mudanças (e podemos supor que haverá outras), o novo poder francês, com um enfoque europeu exemplar, terá contribuído de maneira decisiva para o desenvolvimento da governança global pós-crise.

Notas:

(1) A antecipação do LEAP/E2020 de novembro de 2010 foi feita em função das tendências dominantes (grande rejeição popular a pessoa de Nicolas Sarkozy, declínio da motivação do eleitotorado do UMP e forte aumento da Frente Nacional).

(2) Com as pesquisas sobre o segundo turno que nunca colocaram a Nicolas Sarkozy em primeiro lugar e uma mudança que se confirma mês a mês (em torno de  8% - 10%), que inclusive se amplia (os 13% de diferença na recente pesquisa da CSA) a favor de François Hollande, só um acidente trágico poderia impedir a vitória do candidato socialista em 6 de maio.

(3) Continuamos considerando que as pesquisas subestima a pontuação da candidata da Frente Nacional e exageram, ao contrário, a do atual presidente. A sensação generalizada atualmente, e confirmada por todos as sondagens sem exceção, é que o candidato da UMP não pode sair vitorioso do segundo turno que debilita consideravelmente a estratégia do “voto útil” Sarkozy desde o primeiro turno frente ao “voto útil” Lê Pen. Consideramos que os últimos dias antes do primeiro turno inclusive se reverterá esta estratégia, em detrimento do voto Sarkozy que de fato se tornou voto inútil, por ser incapaz de ganhar o segundo turno.

(4) A este respeito veja nossa antecipação sobre a evolução dos Estados Unidos 2012-2016 (GEAB nº 60 que acabamos de por no acesso público em 4 extratos)

(5) E da eleição legislativa que será em junho próximo.

(6) Assim como já ressaltamos no passado, a única época que se pode comarar em matéria de abandono da soberania em matéria de política internacional foi a do regime de Vichy e sua subordinação incondicional al regime nazista.

(7) Mesmo na formação dos futuros elites francesas no modelo, no entanto, não há futuro para "World University Inc.". fonte: NewropMag, 12/4/2012

(8) Inclusive é um dos intermediário no caso Karachi, Takieddine Zak, quem afirma que o mercantilismo presidiu durante cinco anos as decisões estratégicas do país. E quanto ao mercantilismo, é um especialista no que fala. Fonte: Lê Point, 26/12/2012

 (9) Dito isso, são livres para acreditar os que, por instigação da City (Londres) e Wall Street (NY), querem “ler” na crise grega o futuro da Eurolandia.  O LEAP/E2020 considera que, agora, a mudança política espanhola é que vai dar o tom do que será a continuação da história da Eurolância e mais adiante da transição geopolítica pós-crise.

(10)Porque depois de quase doze anos – a ausência da França nas questões européias para as quais Jacques Chirac não teria nenhuma afinidade e todavia menos visão estratégica, estes cinco últimos anos marcaram um desaparecimento de fato da França da cena internacional e européia, salvo como “sombra” dos Estados Unidos e como instrumento de midiatização das fanfarronadas de Nicolas Sarkozy , nunca seguidas de efeitos  (supressão dos paraísos fiscais, imposição das transaçãos financeiras, etc). O país, seus atores, operadores, didadão, se encontram sem possibilidade de  projetarem-se em escala européia e internacional. É a situação que se acabará em menos de uma mês e gerara uma forte ebulição e numerosas iniciativas, como uma “panela de pressão” que acumula pressão há anos! Isto explica bem porque esta eleição não reflete uma clássica divisão direita-esquerda senão uma divisão republicana com um forte sentido da “coisa pública”.

(11)Decidida por Nicolas Sarkozy sem anúncio prévio em sua aleição e sem debate democrático aum.
(12)Por exemplo, Rússia substituiu recentemente os Estados Unidos, que se retirou por falta de dinheiro, para o projeto ExoMars liderado pelos europeus. Fonte: RiaNOvosti, 14/04?2012.

(13)Um tema delicado onde os BRICS esperam aos europeus. Fonte CNBC, 14/4/2012.

Mardi 17 Avril 2012
LEAP/E2020
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FONTE - LINK: GlobalEurope Anticipation Bulletin (LEAP)
publicado por surfandonoassude às 05:32
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