Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

RÚSSIA - A TERCEIRA ROMA




Observatório Internacional: A terceira RomaPor: Fernando de Jesus

Era um momento de dúvidas e insegurança. Não sabíamos o que fazer. O passado ruíra. O presente era apenas uma questão de tempo. O futuro, uma incerteza. Roma caíra. Constantinopla seguia no caminho. Os impérios romanos do Ocidente e do Oriente tombaram diante das espadas dos bárbaros e com eles a glória e o poder de séculos.

No final da primeira metade do século quinze o grão-ducado de Moscou dá o primeiro passo a construção do império que seria o herdeiro romano. Com a ascensão de Ivã III (1440-1505), Moscou começou a construir o seu próprio destino, que afetaria a vida dos seus e dos nossos também. Ivã III vence os mongóis. Com essa vitória dá a independência para o povo russo, ganhando o título de Ivã, o Grande, da Rússia.

Outra grande conquista de Ivã, o Grande, foi o seu casamento com a princesa Sofia Paleólogo. A união com a sobrinha do imperador bizantino Constantino XI foi uma jogada de mestre que poria a Rússia como herdeira direta do passado religioso, político e cultural dos impérios romanos do Ocidente e do Oriente. Após o casamento Ivã, o Grande, adotou o símbolo da águia bicéfala e assumira para si a responsabilidade de proteger o legado romano. Moscou assumiria o papel de Terceira Roma.

Ivã, o Grande derrota os tártaros na batalha do rio Ugra, expulsando – os para o Leste. Chegava ao fim quase três séculos de servidão para o povo russo. Ivã III triplicara as terras de Moscou, mas ainda faltava a conquista da capital tártara, Kazan. Tarefa que ficara a cargo do seu sucessor; Ivã, o Terrível, que tomara Kazan e em 1552 se auto proclama Czar de toda a Rússia. Dava-se início a construção de um dos maiores e intrigantes impérios da história da humanidade: o império russo.

Os próximos Czares continuaram à construção e modernização do império através de edificações de grandes igrejas, palácios e monumentos que vivificavam a arquitetura herdada da glória dos seus antecessores. De Pedro, o Grande, passando por Catarina, a Grande, até ao frágil Nicolau Romanov a Rússia não parou de crescer e de mostrar ao mundo a sua importância. Seja na política, literatura, vodka ou Sharapovas (que representa a beleza da mulher russa). A Rússia é um berço cultural. Um país que é odiado por alguns, temido por outros, mas amado e admirado por muitos. A terra de Iuri Gagarin, Ivan Pavlov, de Alexandre, Catarina, Pedro, Nicolau, Mikhail, Dmitris e Marias. A sua contribuição para o resto do planeta é do tamanho de suas fronteiras, ou seja, não tem fim.

Tão distante, mas ao mesmo tempo tão perto. Tão enigmático, mas ao mesmo tempo tão presente em nossa vida, não é estesia. Essa é a Rússia. O país esteve presente nas maiores transformações da modernidade e pós-modernidade. Fez revoluções e venceu guerras que direcionaram o rumo que o resto do mundo seguiu.

Do final do século dezessete até a segunda metade do século dezoito a Europa esteve submissa às conquistas de Napoleão Bonaparte. Em 1812 o general francês invade a Rússia. Napoleão tinha em mente uma vitória fácil contra o exército russo, mas o que ele não sabia era que o Czar Alexandre I tinha uma carta na manga: o inverno russo. Com a ajuda do rigoroso inverno os russos expulsam Napoleão de seu território na Batalha de Borodino. O Czar Alexandre I torna-se o “salvador da Europa”. Até esse momento as tropas francesas não haviam perdido uma batalha sequer.

Outra vitória russa que fora decisiva para todos: a vitória sobre as tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Com um pensamento próximo ao de Napoleão, Hitler quebra o pacto germano-soviético e invade a União Soviética em 1941. Era um passo que o mundo todo observava com muita atenção. Uma vitória nazista poderia culminar em uma vitória do Eixo em escala global, porém, assim como Napoleão Bonaparte, Hitler também subestimou a força do povo russo e teve o mesmo destino. Em 1943 o exército vermelho expulsa os invasores para fora do território soviético, era o início do fim de Hitler e do seu plano de conquistar o mundo. Em 1945 as tropas russas tomam Berlim e colocam fim à Segunda Guerra Mundial

fernandoj Analista da política russa, o diretor de jornalismo do IAnotícia, Fernando de Jesus, observa e analisa os principais acontecimentos do mundo com um viés histórico
publicado por surfandonoassude às 09:17
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